sábado, 27 de maio de 2017

"Não há lugar melhor que o nosso lar."

"Não há lugar melhor que o nosso lar."
( Dorothy, 1939 em o Mágico de OZ)




Eu adoro o cheiro de lenha pela casa! 
Sabe aquela sensação de interior... 
Não sou nada cosmopolita, grandes metrópoles por muito tempo me entediam! 
Esse aroma  de madeira no ar, me lembra o passado, quando eu ainda criança visita tios avós na  serra, de onde a minha família tem origem. Sentávamos nós,  no assoalho de madeira, numa grande sala cozinha ao redor do fogão a lenha. E lá exalava-se nos dias frios, esse carinho " aquentado" Exalava-se amor!
Sempre gostei mais de campo que de cidade!
Sempre gostei da sensação de estar na montanha!
Ver o verde, sentir esse cheiro da lenha queimando no fogão a lenha ou em uma lareira num dia frio aquece qualquer alma fria! Não há como não ceder!

Sempre gostei de cores fortes para inundar os cantos da casa com alegria! 
Ambientes minimalistas me lembram "trabalho"! E lar é aconchego!
Sempre gostei de cobertas quentinhas de lã de ovelha e travesseiros de penas  fofinhas!
Sempre gostei mais da simplicidade que dos holofotes, dos sorrisos de verdade aos amarelos!
Muita farinha espalhada pela mesa era sinal que teríamos pasta da nona!E abrir o botão da calça era nossa recompensa após inúmeras delícias!  Nada de industrializados ou receitas modistas... O equilíbrio do corpo se trás da história, da nossa história, de hábitos partilhados anos a fio! Talvez por isso ame história, ela sempre nos lembra quem realmente somos, nada de caricaturas, apenas  pessoas "reais", de carne e osso!



Pequenas traços da memória infantil!


E sabe o que é mais bacana? 

Resgatar muito ou quase tudo disso...
Alcançar esses desejos no próprio lar!

Eu tenho isso!


Então meus queridos, meu desejo a vocês, Londres, França, China, Japão, onde quer que estejam, é dias "aquentados" cheios de amor!  Beijos  e abraços apertados de quem realmente esta com vocês na casa, na cidade ou numa casinha de sapê!




"Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
ou numa casinha de sapê"

( Tim Maia)

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Preparada!

Ao fim do ano postei nas redes sociais uma fotinho com uma frase provocação:

" Página 364 de 365. 
Você está pronto para fechar esse livro?"


Réu confessa não estava. 
Mas tem livros que são interessantes, mas não indispensáveis. Tem aqueles que a gente vira e mexe as estantes e de alguma forma sempre nos encantam. Nos chamam. Parece até um pertencer-se um ao outro... Como se cada palavra, cada detalhe fosse propositalmente feitos só para você e mais ninguém! 

Mas há aqueles que emanam cores e nos convidam, só que ao terminá-los há uma devastadora sensação de vazio, de que assim não deveria ser! Por vezes somos tomados pelo marketing, aquela propaganda enganosa e nada honrosa de uma representação fictícia do que deveria ser e aqui também há uma devastadora ilusão!

E como saber que livro comprar, abrir e fechar?

A gente não sabe, né? Só a experiência vivida com ela é que nos dá uma base real da relevância deste ou daquele! Enfim... Hoje a um pouco mais de trinta dias afastada do meu mundo! A priori só a dor nos encontrava, agora já se aproximando de se sentir completamente curada... Tive o privilégio de abrir e fechar muitos livros, álbuns de fotografias, tive a oportunidade magnífica de viver muitos dias de Domingo como embala Tim Maia em suas canções. 


Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar de encontro ao vento

Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
Te encontrar num sonho lindo

Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo

Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração
E sabe o que eu descobri?

Que eu tenho uma história a contar, linda! Em cada pequeno detalhe... O mundo nos grita que somos perfeitos Eu e Ele, Ele e Eu! Penso que o mundo em silêncio inveja o que compartilhamos.  Somos o casal perfeito, os perfeitos profissionais, os perfeitos amigos, os perfeitos pais... E somos! Nos dedicamos com afinco a nossas obrigações! E temos tempo!? Para nós? É tanta coisa para fazer que esse tempo só se dá em férias, ou feriados e fins de semana! Quem a muito tempo divide o mesmo teto, há de compreender o que eu digo... Não é falta de amor, é sim falta de tempo...

Bem eu adoro dar uma de Poliana, não de forma utópica, ou irônica como Voltaire, porque eu acho que isso não é a tese desse livro, a grande moral na verdade é buscar incessantemente na adversidade encontrar o bom, o positivo, a alegria, a aprendizagem... É fácil encarar situações trágicas só com dor, difícil é encontrar nelas o que aprender, o que tirar de bom delas!

Esses trinta dias nos obrigaram a ter tempo, muito tempo! Eu não pude me enfiar em todos os milhares de compromissos que me arrumo e ele não pode dedicar-se loucamente ao trabalho. Não pudemos atender nossos filhos a cada instante e foram necessárias outras mãos a nos apoiar. Agora nesse tempo "gigante" a gente pode conversar, relembrar, rir e se irritar com todas as pequenas miucias que um dia nos fizeram se apaixonar.

E sabe o que eu mais gosto de lembrar? Sempre fomos divertidos...  Nunca fomos adeptos de convenções ou firulas, trocamos carícias sutis em frente a amigos, ele me dá colo, colo mesmo! Rimos com ardor até de nossas mancadas! E isso é lindo, não!? O poder de você se divertir a tanto tempo com alguém...


Nietzsche disse que só existe uma pergunta a ser feita quando se pretende casar: ‘continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a 30 anos?’.

Rubem Alves

Entre tantas buscas, lembrei do nosso casamento,  aquele que já lhes narrei não saber ao certo se era um sonho a ser atingido, o "evento casamento"! Onde hoje, sei, que tentamos ser formais, que não somos e seguir as convenções sociais, mas isso nos era tão estranho, que acabamos por divertir o público. 

Bem narrar-lhes-ei essa doce lembrança que mostra muito da nossa essência: 

Nosso pajem, por falta de cuidado nosso, a detalhes,  veio a derrubar e juntar as alianças durante todo percurso, e em coro a igreja ria! Isso poderia ser traumático a quem ama eventos, a nós não... A nós foi único, bem a nossa cara, quebrou as convenções e eternizou um dia! Um momento! Aquilo que realmente acreditamos ser real! Nada de álbum perfeito de fotografias!

O pastor, seguindo com praxe a formalidades, nos convoca a troca de alianças conforme regem as regras do matrimônio! E foi fantasticamente hilário! E com uma total quebra de nomenclaturas! Perfeito!

 Ele, nós e a ilustre platéia em risos incontroláveis após a gafe! Colocamos as alianças na mão direita um do outro, com toda beleza que se deve transpor este ato! A gente tentou ser igual a todo mundo! A questão é que não precisávamos de nada disso para afirmar votos, nem da igreja, nem do pastor, nem do anel... Esse "ato teatral" nos é estranho! Adolamos mais a beleza das ações reais! 

Bem o pastor nos disse baixinho: agora podem trocar a mão! Nos entreolhamos e tivemos certeza naquele instante que só nos poderíamos ter feito algo exatamente assim e que só nós poderíamos ter nos divertido tanto com isso! Reverberamos mais risos que dominaram todo o espaço. Neste dia a "felicidade" transbordava em todos que estavam a nos acompanhar! Divertimos a nós e aos outros! E assim sempre fomos! Simples, sinceros, verdadeiros, divertidos e reais!




Então, meus queridos, pronta a fechar o livro da seriedade e aberta a retomar essa diversão!






domingo, 21 de maio de 2017

Entorpecida



"Analgesada" de tudo! Para alguns isso talvez fosse um sonho, para mim um transtorno sem dimensões! Fiz uma longa "viagem" estive muito, muito aquém de mim e isso foi uma loucura! Fiquei impressionada com o poder que determinados medicamentos tem sobre nós! Não tive muita alternativa fui obrigada a ceder. Tinha duas opções ou entrar nessa viagem ou entrar em outra que também não era nada agradável. A segunda era um mau humor crônico que me transformava num ser extremamente insuportável para quem estivesse ao meu lado. Então optei pela primeira, já que sabia que seria uma viagem curta e com prazo de fim! Nunca imaginei que "quebrar" algo doesse tanto! E assim foram as minhas primeiras três semanas após o acidente de carro que me causou uma fratura no"esterno".


Agora que passei a conseguir me desligar da medicação forte que me foi administrada fiquei a pensar: Como alguém pode desejar. ou se submeter por vontade a esses efeitos? Quantos artistas passam a fazer uso de analgésicos de forma indiscriminada após fraturas e nunca mais se desligam deles? Para se libertar da mente?

Eu, diferente deles, esperava todos os dias para que os horários da prescrição passasse e eu já não precisasse mais desses celebres companheiros.

Pela primeira vez na vida, a minha memória se perdeu, memória automática tipo contar um, dois, três... Lembrar o caminho de casa, dizer o CPF, mencionar seu endereço! E foi a pior sensação que pude ter até hoje. O Alzheimer faz isso! Que medo! 

Perder a habilidade cognitiva, habilidade de tomar decisões simples e se ver buscando ensandecidamente, o resquício de algum traço de memória! A concentração parece ser um conto, como  a gente fica enevoado, passar o tempo é algo muito difícil! O físico não te permite muitas atividades, a fratura nos impele uma certa reclusão e a mente não permite a aquisição de novos conhecimentos! Terrível castigo, estar preso dentro de si em "stand by" até se curar! Estar assim me fez pensar na velhice! Acho que tive um lampejo do que será uns 90 anos! E aqui, de novo, esta aquela ilusão que a vida nos cria, para ser possível viver! Aquela ilusão de que certas coisas nunca acontecerão com a gente! Pobre de nós, tão ingênuos espectadores do destino! Há caminhos, mas  todos nos levam ao mesmo fim, não é!?

Bem, a mim cabe lhes dizer que nada mais de se entorpecer... Entorpeci-me de analgésicos por necessidade, mas quantas vezes nos entorpecemos na vida? Nos entorpecemos de trabalho para esquecer dores e amores, nos entorpecemos de álcool para nos entorpecer de inibições, nos entorpecemos de comidas para eliminar vazios, nos entorpecemos de hábitos para que tenhamos a ilusão de controle...

Nessa minha nova vida que aqui começa, sem se 'analgesar" de nada, decidi que...

Se eu já vivia com intensidade, agora estarei de "olhos bem abertos" que é para ter o real e poder ter certeza que não se vive ilusões! Ilusões de outrem, ou de nós mesmos, para nós mesmos! E a última sempre é a mais perversa: Mentiras que contamos a nós mesmos para aceitar o que quer que seja, até o que nos era inaceitável! Perturbador  isso, não!? E por que se submeter a isso? De pura e própria vontade? 

Nada adepta deste mundo! Como disse e sempre digo, tudo na vida nos ensina, as piores tragédias sempre trazem as melhores respostas, não há como, de certa forma, não as venerar!

Então, sigo eu,  mais "louca", a meu modo, do que nunca! Nada de inibidores, amor! O importante é viver! 


Dizem que sou louca por pensar assim
Se sou muito louca por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz e não é feliz
Não é feliz

Se eles são bonitos, eu sou a Sharon Stone
Se eles são famosos, I'm Rolling Stone
Mas louco é quem me diz e não é feliz
Não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar que Deus, sou eu

Se eles tem três carros
Eu posso voar
Se Eles rezam muito
Eu sou santa
Eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar que Deus, sou eu

Sim, sou muito louca
Não vou me curar
Já não sou a única
Que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz

terça-feira, 16 de maio de 2017

Coisas que não sabemos sobre a gente mesmo...



Várias!

Sou super sociável, falo com todo mundo, tenho um zilhão de amigos, mas não gosto de ser invadida! Como narrei-lhes antes o fato de estar doente e dependente me agride a alma. Não gosto de depender de ninguém, não gosto de pedir nada a ninguém... Sou solista, eu ajudo, mas não gosto de ser ajudada!  Dificilmente me coloco nessa condição! E algo que realmente me irrita. Não poder dar conta do que quer que seja!

Minha mãe, dentro dos seus conceitos se esforçou muito para que eu não precisasse dela, não sei se por medo de eu de repente não ser dona de mim, dificultar sua vida! A questão é que até com relação a meus pequenos, desde seus primeiros dias eu banhei, troquei, limpei, cuidei e se não pudia fazer arrumava quem o  fizesse e seguindo o meu comando!

Intransigente eu!? Penso que muito! Controladora... depende! Da minha vida, com certeza, daquilo que considero me dizer respeito, o resto pouco me importa! Não me prendo muito a picuinhas diárias... Impaciente! Talvez não seja a melhor pessoa do mundo pois esqueço datas comemorativas, não sou de ficar mandando beijos e abraços, e posts melosos pelo whats ou afins... Geralmente quando desenvolvo uma conversa ele tem finalidade tipo; to com saudade, vamos marcar um café, ou vou opinar sobre algo... agora me preocupar onde esta, o que esta fazendo, mandar videos e flores em figurinhas, dificilmente farei!

E quando adoecemos o mundo inteiro faz isso e isso me deixa louca! Completamente louca! Bem estava eu a me queixar sobre esse tornado de mensagens e meu marido riu! Agora esta ele quase 24hs dividindo seu dia comigo, o que já é algo bastante "estranho" ao meu modo operante! Prosseguindo o meu delírio, bufo eu: do que tu ris!? Ele com um sarcasmo atravessado na face me diz, descobri porque gostasses de mim! E eu: ahm? 

Nunca te liguei a cada minuto, nem fico te infernizando durante um dia de trabalho, tomamos cada um nossa decisões e não interferimos de forma invasiva um na vida do outro! E eu olhei para ele, primeiro com um certo ódio, mas depois fui obrigada a concordar! Novamente ele esta certo! Eu preciso de espaço, preciso não ser importunada durante o meu dia, não preciso de ninguém para me dizer o que devo ou não fazer e se alguém passasse a fazer isso constantemente eu eliminaria em um piscar! Não teria jamais dado chance a um segundo encontro, um namoro ou muito menos uma vida!

Sou um 'serzinho' independente emocionalmente! Alguns podem entender como frieza essa falta de conexão constante, mas não é... Talvez me importe absurdamente com pessoas mas não me inerente a habilidade de constantemente trocar o que quer que seja. Preciso de espaço para pensar, para me encontrar, para decidir... Preciso de silêncio para poder me ouvir! Isso é 'jeito"... E cada um tem o seu, né?  O que definitivamente nos torna especiais e atrativos aos outros!


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ser "Qualquer" ou "Alguém"

Como já narrei encontrando fantasmas, vários...
Dentre meus grandes fantasmas da vida:

- medo de dor física;
- medo de não conseguir executar tarefas simples, 
- medo de ter dificuldades respiratórias;
- medo de ficar presa entre quatro paredes;
- dificuldade em lidar com estranhos preocupados com o nosso bem estar.


Quanta a dor física, não pensei que a encontraria tão cedo novamente. Aos 26 anos, após minha internação acordava todos os dias como se pisasse em ovos e tinha a impressão de ter passado um trator sobre mim. Acordar era o ato! E esse ato de contemplação de dor se manteve por uns longos três meses! Hoje acordo como se aquele trator tivesse me reencontrado, ainda bem que os ovos desta vez não foram jogados ao chão.

Quanto as tarefas simples aos 26 anos tinha um bebê para cuidar e isso me feria, eu sempre cuidei do meu bebê, era eu que o banhava, alimentava, carregava no colo e eu não pude fazer nada disso por três meses, além de ter que me submeter a ser banhada e carregada pelo meu marido. Desta vez eu tenho ajudantes preciosos, os meus bebês, já não tão bebês carregam as compras de mercado, arrumam armários, guardam roupas, varrem a casa. E a limitação imposta é mais suave caminho, banho-me só.

Quanto a respiração... Só quem tem a habilidade de respirar atingida é que compreende como é maravilhoso o "cheiro" inócuo do ar! Como é prazeroso controlar inspiração e expiração, leve, suave ou rápida. Talvez por isso correr me comova, a gente aprende a respirar na adversidade!  A falta de ar parece que não nos permite sentir a grandeza do universo que nos cerca... E no ato de respirar fundo que temos vários orgasmos de vida: um céu azul, uma notícia excepcional, o encontro com alguém querido.... A gente suspiraaaaa e até vocaliza! Ahhhh! Bem, eu vocalizo prazer, alto ! bem alto! Que é para todo mundo ouvir! Estar privado disso trás uma certa tristeza.

Quanto a estranhos preocupados...
Já lhes narrei que basta estarmos a beira da morte para nos tornarmos famosos, o mundo para para nos ver passar. E o que você realmente fez para merecer tanta atenção!? Nada... Você só quase partiu desse mundo e isto o torna importante para "qualquer um". E como já lhes disse odeio "quaisquer".


Mas ai apesar desse poço de fantasmas a gente descobre coisas maravilhosas, no meu caso relembra:

- Que apesar de qualquer adversidade eu sou forte, muito mais forte que imagino;
- Que tenho uma leveza iluminada para lidar com a dor e com problemas complicados,
- Que se alguma tarefa for difícil e eu tiver uma batalha a travar, jamais serei vítima, sempre me colocarei pronta para tudo, com uma persistência e coragem absurda que eu esqueço que me habita;
- Que estar entre quatro paredes nos faz 'pensar", "meditar", "se encontrar";
- Que pessoas estranhas nos procuram, há aqueles que vivem de curiosidades para os folhetins, mas há aqueles que não sabíamos que nos nutriam afetos. Nessas horas drásticas reconhecemos verdadeiros amigos. Nessas horas um "amigo" real muda sua agenda, atrapalha seu dia só para nos dar um oi, transmitir carinho e tornar a vida de "alguém" mais feliz. E é aqui que temos a certeza de não ser "qualquer" na vida de alguém!


Então amores, entrando na quarta semana e agora, ao invés de encontrar-me abatida, sinto-me feliz! Iluminada por poder mais uma vez entender algumas coisas importantes da vida! Eu ainda não posso me jogar no mundo, de corpo e alma, como tanto amo... Mas ele está lá fora a me esperar, pois ele sabe que eu sou um serzinho, "alguém", que vale se ter por aqui!



terça-feira, 9 de maio de 2017

Encontrando fantasmas

E estou com peito partido! Nunca achei que pudesse usar essa frase de forma tão literal, sem usar do pragmatismo linguístico, sem dupla interpretação! Bem aqui estou com uma dor cortando-me diariamente o peito, dia após dia... Engraçado que descrever essa dor parecesse referir-se a coração partido, não? Quebrar o "esterno" (*) é isso!




Descobri a poucos dias que sim meu coração poderia ter partido, ele e meus pulmões de forma bem literal, bem realista... Da forma que objetivamente decidi viver, abandonei a pouco tempo a ideia de sonhos fantasiosos. Penso que crescer é um pouco isso também, deixamos de sonhar com utopias príncipes e castelos, amores de livros, sonhos inatingíveis.


(*) Fratura do Esterno: O esterno é um osso localizado no tórax que ajuda a proteger o nosso coração e pulmões.O esterno tem superiormente as incisuras claviculares, onde se articula com as clavículas, e a incisura jugular, e nas bordas laterais incisuras costais, onde estão fixadas as cartilagens costais. É formado superiormente pelo manúbrio, ao centro tem-se o corpo do esterno e inferiormente a apófise xifóide português, onde se liga o diafragma, dentre outros músculos importantes.Como este tipo de fratura não pode ser curada com o gesso, o normal é a prescrição de anti-inflamatórios, analgésicos e muito, muito repouso, um aspecto importante para diminuir a dor e evitar que a lesão se agrave.



Bem nesse meu mundo real, muito, muito real estou eu a encarar alguns fantasmas. Fantasmas sempre nos perseguem! Parece que o destino nos obriga a encarar situações mau resolvidas, sejam pessoas, lugares... Assim foi com a minha falta de apreço a hospitais desde a mais tenra infância, onde tive uma internação muito traumática, após uma pneumonia. Bem, o universo conspirou e eu já tive que me enlaçar com o hospital diversas vezes... E estar muito tempo nele! Parece que esse meu fantasma tem que se tornar meu amigo, parece que eu e ele temos que coexistir em harmonia!

Agora escancara-me a porta a obrigatoriedade de repouso! De não poder executar coisas sumariamente simples como levantar objetos! Sim já encarei dificuldades para correr, cansaço para executar tarefas simples que pareciam maratonas, depois da perda de movimentos, mas agora a sensação é outra. Sinto-me muito limitada, quero executar, mas a dor não deixa... E outro fantasma me persegue "dificuldade para respirar", falta-me o ar... 

Cá estou eu a "encontrar" fantasmas e aprender a lidar com eles! Querendo ou não, tem coisas que a gente não escolhe, o universo nos obriga. Creio eu que ele deve ter suas razões!

terça-feira, 2 de maio de 2017

" Vamo Viver!"

Dentre tantas coisas que compartilhamos durante todos esses anos, existe uma característica que começou a me acometer desde os 26 anos que o meu marido nunca pode compreender! Na verdade, só compreende quem quase morreu... E é o tipo de coisa que não dá para descrever, é o mesmo que falar de maternidade a quem nunca foi mãe!

Quase morrer é insano, muda a sua perspectiva, muda seus valores, desenvolve uma sede de vida! Uma coisa é o discurso bonito que nos afirma que devemos viver o presente, valorizarmos momentos e os que realmente nos amam... Outra é efetivamente viver assim! Quem quase morre passa a ver o mundo com essa perspectiva, a gente parece começar a correr contra o tempo, a querer mil coisas, a respirar mais fundo, a sentir com muito mais intensidade. Isso é uma dádiva a meu ver a vida definitivamente não passa em vão!

Parece um 'q' de loucura, mas nada pode ficar para amanhã, nada importante, a gente efetivamente sabe que o amanhã pode ser meramente uma ilusão, pode simplesmente não se concretizar! No início isso gera uma certa ansiedade, e a gente se pega perdido em pensamentos. Pequenas lista individuais de tudo aquilo que é preciso realizar. Cada pequeno sonho!  E eles se multiplicam de forma voraz, antes não se tinha tempo para elencar desejos, as rotinas nos enlaçam, mas quando quase se morre, percebe-se o quão insano são alguns comportamentos: lutas de poder, desejos de ser bem sucedido... Tudo isso perde o valor como num passe de mágica. Nos damos conta que estar presos a conjunções de outrem para ser feliz, não é o que realmente nos trás felicidade. Essa vem de dentro e pertence única exclusivamente a nós indivíduos singulares!

Então dentro da gente algo grita, escancara portas:

- " VAMO VIVER!"

Desde a minha quase morte aos 26 anos eu vivo assim... E agora, aos meus quarenta anos, reafirmei meus votos com a vida! Se eu pensava em me aquietar e juntar o meu modo operante ao dele, ela me surpreendeu e trouxe ele a mim! Conspirações do universo, não!? Ele agora também tem sede de vida!! Ele agora se perde em pequenos sonhos... Ele agora habita o mesmo mundo que eu! E o universo, a seu modo, nos aproxima na distância que nos era mais gritante!




"Pássaros engaiolados pensam em gaiolas. Pássaros livres pensam no azul infinito. Eu e os pássaros temos sonhos comuns. Sonhamos com voo e com a imensidão do céu azul."

 ( Rubem Alves)