domingo, 23 de abril de 2017

E o que nos alcança?




Cada um tem uma forma de ver o mundo, não? Eu penso que somos energia, direcionamos energia uns aos outros... Direcionamos bem quereres e mal quereres mesmo sem querer!Por isso tantos insistem que somos o que vibramos, atraímos o que vibramos... Sem provas irrefutáveis ou artigos científicos sobre o assunto, a vida trás um pouco dessa certeza, né?

Parece que quando estamos bem o mundo nos sorri... E quanto mais laços fazemos, mais momentos felizes acontecem, mais gente "bonita" de alma nos encontra. Parece que se transbordamos alegria, ela nos tira a dançar pelo mundo! Parece que quanto mais gente nos quer bem e nos deseja bem, o bem se faz vencedor a qualquer adversidade!

Sim... Estou eu a elocubrar sobre o acidente, e muita ebulição de pensares para um único ser! O que posso dizer é que se há mal  sendo reverberado a mim, por qualquer razão que seja... A mais bem! De tantas coisas que contruí e fiz neste mundo, acho que meus rastros foram mais de bondade do que maldade, meu coração sempre foi mais solidário que egoísta, mais caridoso que invejoso, fui mais honesta do que cínica... Durante esse anos que se seguiram fui mais boa do que má... E se errei, cada erro que fiz não foi intencionalmente mal, foi seguido de algum sentimento bom e inegável! Atraí mais beleza do que dor!

Bem se esse universo conspira, como eu creio que conspira, o mal que se abateria em meu lar, não se fez! Diante da necessidade de um desastre existir, um desastre, que se concretizado em suas piores possibilidades,  foi amenizado talvez, pelo bem que tanto fazemos! O desastre reverberou mais bem do que mal:

- Saímos ilesos sem fraturas maiores que poderiam nos deixar sequelas drásticas, entre elas: paraplegia, demência, perda de membros.
- Saímos ilesos como casal, não se desfez o laço da união estabelecida a quase 20 anos;
- Saímos ilesos mãe e filha, pai e filha com muitos momentos a construir juntos;
- Saímos ilesos e sem abandonar nosso filho que não nos acompanhou e ainda poderemos nortear sua vida e dar-lhe oportunidades de construir pensares e uma vida adequada.

O "bem" prevaleceu! Os pensares do mundo, direcionados a nós, em sua grande maioria, reverbera bem... As pessoas que nos cercam nos querem bem... E se nos é direcionada inveja, raiva... Ela é um fio diante da amplitude do bem querer! Ele ainda é nosso escudo a todo mal que possa haver! Então perduremos a ser nós de coração aberto e boas intenções... Perduremos a fazer mais bem, sempre!



" Tudo de bom que você me fizer
Faz minha rima ficar mais rara
O que você faz me ajuda a cantar
Põe um sorriso na minha cara


Meu amor, você me dá sorte
Meu amor!
Você me dá sorte, meu amor!
Você me dá sorte na vida!"

sábado, 22 de abril de 2017

E quantas vezes podemos ser salvos?

E quantas vezes podemos ser salvos?
Eu ouvi dizerem-me uma vez, logo que me restabeleci da doença que quase me tirou a vida, que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar!

O mesmo raio não... Mas e raios diferentes!?
Tem tanta coisa que acontece no mundo que negamos poder um dia acontecer com a gente...

Eu pensei que já havia renascido e não renasceria nessa vida outra vez! Achei que não seria possível viver novamente uma experiência tão sul real como a doença que tive. Mas a vida prega-nos surpresas. E eu só me pergunto:

O que mais queres me ensinar!?
E eu ei de aprender...
Pois estou aqui a refletir...
Sempre!

Já sei que os segundos valem ouro, eles esvairam gradativamente, como pequenos grãos de areia enquanto mantive-me ao leito de um hospital aos meus doces 26 anos... Agora aos quarenta, não tive essa sensação de perda gradativa, último suspiro... Na verdade tive um apagão! Minha vida quase se foi sem pensar, sem uma revisão de tudo de bom ou ruim que aconteceu até então! Ela simplesmente se foi! Ou não se foi, porque alguém lá em cima olhou por nós e decidiu que ainda temos muito a contribuir ou aprender por aqui. A questão é que em um segundo um acidente gravíssimo de carro quase tira-me a vida: a minha vida, a de meu marido e a minha razão única de existir a minha real vida, um dos meus maiores tesouros, a minha menina! E não paro de pensar o que seria pior deixar ela sem mim, ou eu sem ela. 

No leito do hospital só tive a experiencia unilateral de saber a dor que meu menino teria de não mais me ter, como a gente substitui uma mãe!? Nesse acidente a experiência que me tomou foi a possibilidade de viver sem ela! A dor dos hematomas que me consomem hoje, não me cortam tanto, como essa mísera possibilidade de tê-la perdido e não ter controle algum sobre isso!

É difícil sermos humanos, não!? E difícil exigir humanidade a quem se diz, num momento de dor inaceitável, aceite e acalme o coração. Esse pedido é desumano...

E aqui me senti miseramente pequena, tão, tão impotente... Qual dor seria mais justa se houvesse que escolher, a dor da ausência de uma mãe na sua tenra infância? Ou a dor de uma mãe em não ter sua cria para dividir lembranças durante seus primeiros anos? Não há justiça nessa escolha... Só há dor!

Vida, por anjos queridos, decidiu que não merecíamos a escolha, não perdemos uma a outra...E não partimos juntas! Vida presenteou-nos com a dádiva de mais anos! E isso é algo, diante do acidente que passamos, considerado por muitos, mais um pequeno milagre!

E a mim só basta agradecer, por alguém neste mundo julgar que eu mereço isso! Basta-me analisar cada pequeno detalhe deste evento para aprender... Sei bem, que há algo, que aqui esta, talvez escondido em pequenos flashs, que eu deva me atentar e usar para me fazer crescer mais um pouco!

Amém! 

terça-feira, 11 de abril de 2017

Prazeres confirmados

" Ao contrário da garota aventureira que se empolga com tudo e tem tempo de sobra para construir seu repertório, você não tem mais tanta vida pela frente para desperdiçar com o que não te excita, não surpreende, na te deixa entusiasmado de verdade. Se é para ser meia-boca, mais vale deixar para lá e dedicar-se a seus prazeres confirmados." ( Martha Medeiros)




E  viva ao prazeres confirmados, essa é a real beleza de não se ter mais 20 anos , não!? Ou não...

Não posso dizer que nos tornamos menos pacientes, seria uma inverdade, quantas vezes acionamos o botão dispersão em uma conversa e balançamos devidamente a cabeça em sinal de sim para não perder a amizade! Haja paciência! E... Cinismo mesmo que para um bem maior!

Não posso dizer que somos mais seletivos, na verdade já temos o nosso próprio menu e definimos que se algo não o contempla, deve ser muito bom para ser adicionado é preciso valer a pena! E falta coragem para arriscar uma nova modalidade...

Somos menos imaturos!? Depende... Acho que seremos eternamente imaturos tudo depende do que nos é apresentado, nossas reações são menos instantâneas porque já sabemos que teremos que lidar com as conseqüências! Nos tornamos reticentes!

A idade nos faz vagos!

Mas somos crianças internamente, não? Sempre seremos... Choramos rios de lágrimas por dentro e rolamos em gargalhada internas! Queremos um abraço forte ou um empurrão...

Somos crianças quando nos deparamos com um problema sem solução... Com a construção ou desconstrução de uma amizade ou relacionamento.  Com mudanças... E mais fácil, seguro mantermos os pés enterrados no mesmo chão, o conhecido! Nos atemos a nossos prazeres confirmados muitas vezes apenas por auto-proteção, medo do que poderia ser? Sempre o mesmo vinho, a mesma cerveja, o mesmo restaurante, o mesmo hotel, as mesmas músicas...  Parece  meio que o transtorno compulsivo obsessivo  da idade, manter constância... Apenas porque não temos coragem de nos arriscar! Mudar a ótica... Agregar novas modalidades a vida!

A gente só esquece de um pequeno detalhe... A vida não tem reprise! A gente não volta no tempo! Não são possíveis realidades paralelas, não dá para fazer de novo a mesma coisa mas diferente, não é possível corrigir a vida como se corrige um projeto... Não é!?

Então eu adoro meus prazeres confirmados... 
Mas eu amo muito mais a vida...
Então querida, me surpreenda... Adoro surpresas!



segunda-feira, 3 de abril de 2017

Desencontros de pensares

Meus pensamentos andam um pouco atordoados nos últimos tempos! Como vocês devem já ter percebido sou uma admiradora estupefata da vida! Gosto de pensar que é impossível desistir de viver... Tenho dificuldades em compreender como alguém pode não achar a vida incrível!

Vejo minha vó aos seus 92 anos perdendo um pouco de sua  sanidade, perdendo todo ar "saltitante", a energia que exalava dela... Acho que herdei isso dela, aquela vontade de viver tudo intensamente e transbordar alegria... A vejo aquietar-se em um sofá e se perder em cochilos, mas ela não se enlaça com a morte, ainda há nela um desejo reverberante  e inabalável de vida. Acho que serei como ela... Brigarei até o último instante pelo direito de estar aqui! Gosto daqui.

Nos últimos dias, no entanto vem me encontrando com um modo de pensar distante deste que lhes apresentei antes! Meus sogros aos seus 84 e 82 anos passaram juntos por algumas intercorrências de saúde. 

Em meu sogro já há uma certa demência, ele parece "perder" o que acontece, a mente desprende-se do corpo e prende-se a rotinas, mesmo que já nem saiba mais por que deve executá-las naquele exato momento. O relógio é seu maior e melhor companheiro ele lhe dita o que fazer a todo momento: acordar precisamente as 6h, tomar a medicação, as 11;30 pontualmente o almoço deve encontrá-lo com mais uma pequena dose de remédio, a seguir vem o cochilo que encerra-se com o ressoar do relógio que lhe diz que é hora da cuca e logo a noite chegará com mais um remédio o sono a dominar, volta-se a ninar pontualmente as 20h. Acho que esta forma de se aprisionar a horários ainda é uma forma de dizer ainda sou dono de mim! 

Já minha sogra, até pouco tempo serelepe passa a perder-se em cochilos, atrapalhar a fala que se torna lenta apesar de conservar a cognição. Mas ela parece ter desistido... Em seu discuso refere ter feito tudo nesta vida, passa a tornar-se repetitiva com todos, e um tanto irritante em dizer que o fim se aproxima e que assim é a vontade de Deus... Aqui, acho que a loucura também a acompanha, refere que está ansiosa para encontrar Jesus. A quem devotou fortemente sua existência, "ele" sempre esteve a frente, foi prioridade em sua vida! A ele jurou eterno amor antes de marido, filhos, casa, laços... Parece-me que ela desistiu do aqui e deseja muito ir para lá.

E se não houver lá? Desistir daqui é desistir do que há de real, não!? Palpável! E se não houver lá!? E mesmo que haja lá, perde-se a vontade daqui!?

Nesse meu delírio me vi a confabular sobre a vida com um colega de trabalho. ele já com idade um tanto avançada diz querida a culpa é nossa. E eu penso: Como assim!? Reflete ele então, estamos estendendo o martírio... Aos 20 anos um dia é um dia... Aos 40, um ano é uma ano.... Aos setenta um ano passa parecer ao menos uma década! Tudo se torna difícil... E não há o que fazer! Estamos dando ao ser humano mais do que precisa e ele então se perde! A culpa é nossa! E eu me perco aqui a pensar que nunca havia pensado nisso! Talvez para mim nunca haja vida suficiente ( Que Deus queira que seja assim, sempre)! Que mesmo com dores, ausência de força eu continue a insistir, que eu não desista do mundo, que eu não me despeça de nada ou ninguém, que eu vá sem delírios e sem esperar, tipo assim "foi"... Não quero me enlaçar com a morte! 

No entanto, para o outro talvez seja tempo demais, sonhos atingidos e o corpo se esvai em dores, em fraqueza, a memória se perde e você não se vai para lugar algum nem aqui, nem acolá! Não é!?Há um desejo de se despedir, de partir... Mas a gente daqui não deixa e cria amarras... Segura com toda força! Mas, falo eu de mim... É preciso aprender a entender essa outra forma de pensar e aceitar o diferente, não é!? Não é possível impor ao outro o seu modo de viver! E fazemos isso com os idosos, mesmo que sem querer! Precisamos respeitar desejos, mesmo com desencontros!

terça-feira, 28 de março de 2017

A "entidade"

E me vi refletindo sobre o amor!
Quantas definições temos a respeito dessa "entidade"! 
Parece que a ele destinasse tudo que a de melhor no universo, que por ele o mundo é melhor, que sem ele de nada serviria nada nessa existência ou em qualquer outra! 

Uma visão um pouco simplista, não?

Por amor a um Deus muitos morreram ou foram mortos!
Por amor a uma Pátria muitos crimes hediondos foram cometidos!
Por amor a algo, uma casa por exemplo, nos limitamos, abrimos mãos de liberdade para manutenção!
Por amor alguém desistimos de tantas coisas...


Há ainda a ideia romântica em se apoiar em transformação, o amor transforma! Transforma? Transforma como!? E ele que determina o bom, o justo?

Mães amam vorazmente suas crias e só por isso se tornam santidades, perfeitas? O amor as torna melhores que quaisquer criaturas, mesmo que esse amor se baseie em insegurança, dependência emocional, necessidade de controle... Muitas mães são mães apenas por isso! Ou para elencarem uma lista de qualidades preciosas suas e de sua prole! Porque a  gente se aprisiona a listas de feitos e reconhecimentos em nome do amor!?

É preciso parar de dar ao amor o poder de reverberar bondade... pobre dele! Deve achar que somos loucos que o culpamos por nossas dependências!

Numa visão bem racional: 

O  que é o amor? 
Como medir de fato o valor disso?
O quanto vale desorientar seu modo operante para entregar-se a  obstinação dessa entidade? 


Acho que ao fim o que transforma são os laços... sejam eles do que forem amor ou ódio! São as experiências conflitivas do nosso ego que nos tornam melhores ou piores, prudentes ou imprudentes, leais ou desleais... Humanos ou animais!

O amor não tem culpa! Nem do bem, nem do mal! O amor pode ser bom ou ruim, pode ser fraco ou valente, pode ser frio calculista e controlador... Pode ser doce e suave como o vento! E tudo isso meus caros é amor, não vamos inventar outros nomes para isso... Essa mania de querer dizer que amor é bom, paixão não.... Amor é amor de tantas formas como possa ser! Simples assim, como a alegria e a tristeza. O amor é apego! A gente se apega e pode ser que tenhamos sorte ou não! E é isso!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Um tempo que não volta mais!

Pus-me a lembrar da infância, após uma viagem de meus pais a uma cidade a qual pertenci na mais tenra idade, onde talvez tenha constituído minha personalidade! Com um povo diferente, muito diferente daquele com o qual convivo hoje! Onde os laços pareciam mais sólidos!

Lembrei das minhas primeiras grandes amizades de infância e ao lembrar deles, seus nomes, suas identidades, dei-me conta que presentei meus filhos com seus nomes... Interessante isso, não!? Algumas coincidências ou programações? 

Bem lembrei saudosamente de festas e risos... Fiz um pequeno passeio a essa lembrança, a essa antiga cidade e depois pousei aqui onde estou! Lembrei então da minha chegada e quão ardo foi lidar com novos costumes! Novas escolas, novos endereços... Demorou fincar o ninho! Aqui onde vivo a história das pessoas, seus antepassados valem muito! Aqui nós não tínhamos história! Invasores... E "perder"ainda era constante... Laços faziam-se e se  desfaziam facilmente até que meus pais e nós nos encontrássemos! 

Perdi tantas pessoas... perdi seus nomes e endereços... Perdi suas histórias... Viraram lembrança! Uma lembrança enevoada, apesar de fortes laços estabelecidos a infância não nos dá o domínio da escolha de não perder. São nossos pais que optam por nós, nos levam e trazem conforme entendem ser o melhor para nós. Ao menos assim era na época dos meus! Criança não opinava muito! Criança sentia? Se sentia, muito não era dito... 

Então, eu imaginei, mesmo que por um pequeno instante, que se "eu" estivesse em mim, naquela velha infância, diria o quão importante essas pessoas eram! O quanto sentiria imensamente  falta delas! Diria que não queria partir, mas que se assim fosse não as perderia totalmente, queria as manter sempre no meu caderno de endereços e ia ordenar por decreto que meus pais estabelecessem um cronograma de visitas. Distância endurece o coração! Queria meu coração a pulsar sempre com a presença mesmo que intermitente! Mas não se pode ser no passado, né? De que adiantam palavras depois de muitas estações? Palavras mudam, se transformam, se perdem com o tempo... Palavra sem emoção, não é palavra, é uma simples analogia entre som e grafia! Depois de muitas primaveras, perdem-se locutor e interlocutor no tempo! Um tempo que não volta mais!


Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo

Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
Da gente brincar
Da nossa velha infância


(Tribalistas)

quinta-feira, 9 de março de 2017

Sonhos Estranhos!

Sonhos estranhos.... 

Ano passado, um pouco antes de uma tempestade se impor em minha vida, eu tive um sonho...

Sonhos estranhos...

Estava  eu, em meu quarto, dormindo com meu marido e alguém estava a me observar, mãos sob o queixo, parecia refletir sobre algo para mim, como um anjo ou talvez um demônio, não sei a nobreza deste vulto! Só sei que seus pensamentos focavam-se em mim. Parecia estar a decidir o meu destino! E eu em meu sonho o via e pensava o que decidirá? O quê? Eu estava preza a apenas esperar essa decisão, não pudia intervir, parecia que era a este personagem que o meu destino caberia....


Eu não sabia da tempestade, não haviam indícios de tempestade, e ela veio. Alguns diriam que tive uma espécie de premonição, não!?

Então esse anjo ou demônio decidiu... Ou será que o destino decidiu? Bem alguém decidiu, alguém aquém de mim e a tempestade passou! Ficou o sonho... Estranho! E me encontro as vezes a pensar neste insight louco, meio pré insight e é difícil diante disso não pensar:

A quem realmente pertence nosso destino?
Somos nós reais donos de nossa direção?
Existe alguém arquitentando planos neste universo, planos aquém de nós?


Aqui se perde a razão!