segunda-feira, 20 de março de 2017

Um tempo que não volta mais!

Pus-me a lembrar da infância, após uma viagem de meus pais a uma cidade a qual pertenci na mais tenra idade, onde talvez tenha constituído minha personalidade! Com um povo diferente, muito diferente daquele com o qual convivo hoje! Onde os laços pareciam mais sólidos!

Lembrei das minhas primeiras grandes amizades de infância e ao lembrar deles, seus nomes, suas identidades, dei-me conta que presentei meus filhos com seus nomes... Interessante isso, não!? Algumas coincidências ou programações? 

Bem lembrei saudosamente de festas e risos... Fiz um pequeno passeio a essa lembrança, a essa antiga cidade e depois pousei aqui onde estou! Lembrei então da minha chegada e quão ardo foi lidar com novos costumes! Novas escolas, novos endereços... Demorou fincar o ninho! Aqui onde vivo a história das pessoas, seus antepassados valem muito! Aqui nós não tínhamos história! Invasores... E "perder"ainda era constante... Laços faziam-se e se  desfaziam facilmente até que meus pais e nós nos encontrássemos! 

Perdi tantas pessoas... perdi seus nomes e endereços... Perdi suas histórias... Viraram lembrança! Uma lembrança enevoada, apesar de fortes laços estabelecidos a infância não nos dá o domínio da escolha de não perder. São nossos pais que optam por nós, nos levam e trazem conforme entendem ser o melhor para nós. Ao menos assim era na época dos meus! Criança não opinava muito! Criança sentia? Se sentia, muito não era dito... 

Então, eu imaginei, mesmo que por um pequeno instante, que se "eu" estivesse em mim, naquela velha infância, diria o quão importante essas pessoas eram! O quanto sentiria imensamente  falta delas! Diria que não queria partir, mas que se assim fosse não as perderia totalmente, queria as manter sempre no meu caderno de endereços e ia ordenar por decreto que meus pais estabelecessem um cronograma de visitas. Distância endurece o coração! Queria meu coração a pulsar sempre com a presença mesmo que intermitente! Mas não se pode ser no passado, né? De que adiantam palavras depois de muitas estações? Palavras mudam, se transformam, se perdem com o tempo... Palavra sem emoção, não é palavra, é uma simples analogia entre letra e grafia! Depois de muitas primaveras, perdem-se locutor e interlocutor no tempo! Um tempo que não volta mais!


Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo

Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
Da gente brincar
Da nossa velha infância

(Tribalistas)

Nenhum comentário:

Postar um comentário